A remuneração dos trabalhadores do Norte - Breve análise
Segundo dados do Inquérito ao Emprego do INE, os trabalhadores da região Norte são os mais mal pagos do país. No segundo trimestre deste ano, cada trabalhador nortenho ganhou em média um ordenado líquido de 636 euros, menos 238 do que um trabalhador lisboeta (salário líquido médio de 874 euros). Estes dados são preocupantes (e os agentes políticos da nossa região devem estar particularmente atentos) sobretudo se nos lembrarmos que o maior número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção se encontra igualmente na região Norte, o que aumenta o risco de desfiliação social na região que já foi a locomotiva económica do país. Devemos porém analisar estes dados com alguma cautela, contextualizando-os no movimento mais amplo de decomposição dos sectores tradicionais da economia - com incidência no têxtil - que têm maior prevalência no Norte do país. De resto, penso que devemos salientar: 1. A dissociação do Porto (e do Grande Porto) da região Norte mais alargada, porque os valores são muitíssimo distintos e impossíveis de homogeneizar regionalmente. 2. Estes dados do INE não contabilizam o custo do nível de vida (o preço dos bens e serviços em cada região), pelo que um trabalhor lisboeta que ganhe 874 euros pode ter um nível de vida inferior a um trabalhador nortenho que ganhe 636 euros. Para mais, o peso da economia informal e de actividades paralelas (a agricultura doméstica, por exemplo) é muito relevante no Norte do país e aí poderemos ter um bom complemento dos rendimentos. 3. O terciário é o sector mais bem pago e isso indicia as mutações na estrutura económica da região Norte, cujos efeitos de transição vivemos actualmente. 4. A maior amplitudade de salários está também no Norte, pelo que é esta a região onde há trabalhadores com níveis salariais mais baixos mas é a segunda região (a larga distância) com maior número de pessoas a ganhar mais de 1800 euros mensais. Embora não tenha aqui essa informação, presumo que a concentração dessa massa estará predominantemente no Porto-cidade. 5. Por fim, importa dizer que os dados do INE se baseiam em inquéritos cuja veracidade é impossível de verificar. Depende da boa vontade das pessoas (dezenas de milhar não responderam) e da verdade das suas respostas. |














