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Domingo, Setembro 24, 2006

A Natureza Partidária

Este esquecimento na Convenção Autárquica do PS Matosinhos, leva a pensar e a alertar os incautos e românticos o quão injusta é a vida partidária e como esta se rege por regras de pessoalização e fulanização, na qual o debate político deixa de ser um confronto sadio de ideias e métodos para passar a ser uma discussão destituída de profundidade, bastando-se com a epiderme dos pormenores acerca do senhor A ou B.
O principal, a substância são diminuídos e acabrunhados perante a forma e o acessório. Para se manter à tona de água, alguém imbuído de bons princípios e voluntarioso deverá ser agraciado com uma qualidade cada vez mais rarefeita, a da abstracção.
Abstracção para em primeiro lugar não se desgastar com a mediocridade - não confundi-la com a generosidade pura de qualquer um, indepentemente da sua origem social e que é uma das experiências mais belas numa organização partidária - e com a ditadura da igualdade nivelada por baixo para não se ferir putativas susceptibilidades, que isto de humildade é para ser levada à letra, além que nunca é demais e mesmo quando todos sabem ser falsa, convém não deixar cair a máscara.
Mas a necessidade de abstracção reside principalmente, na ideia que uma carreira política para ser bem sucedida deve ter, e abstraindo,
várias fases animais.
No início dos inícios começa-se como lagarta, cujo bichinho da política a faz morrer para a vida apartidária, segue-se a crisálida, esta resguarda-se mas aos poucos vai tomando o pulso da estrutura, até que começa a desabrochar, depois passa-se para a fase da alvorada que pode tomar dois rumos, a do cão e aí o novato membro, torna-se fiel a um determinado padrinho político, este normalmente com responsabilidades no Partido gosta dele enquanto lhe for útil, até porque os candidatos a afilhados fazem fila e vai inserindo-o na sua família partidária, aquele por necessidade de crescimento, obedece cegamente. Já o outro rumo na alvorada política é ser gato vadio, este não reconhece dono ou mão que o comande, acha-se já grande porque vive na rua e amadureceu com a escola da vida, imitando os mais velhos, desmultiplica-se num deitar charme avulso. É também detentor duma esperteza, por vezes saloia, mas no fundo tenta sobreviver no mundo cruel da política
, até porque como gato tem 7 vidas e nisso ele confia.
Depois desta fase infantil ou abandona o Partido e torna-se animal selvagem, sozinho ou em pequenos grupos tendendo a minar por fora e frustrado por não ter conseguido em certa medida mudado algo ou, não abandonando, prova a si e aos outros que tem pele dura e aí surgem vários trilhos.
Desde logo pode transformar-se no camelo, eterno trabalhador e com uma enorme capacidade de retenção de informação mas sempre pajem de alguém. Pode também ser o tipo chimpanzé eterno insatisfeito com o galho que lhe coube, tenta sempre vislumbrar outro ramo, outro tacho onde se sinta melhor, o problema é que nunca param de saltar de galho para galho, mesmo quando já não tem pernas para o balancear e auto-legitimam-se para o constante movimento
com a escola da vida, essa erudição cujos desígnios são insondáveis pelo resto da tribo, por vezes também caem da árvore, mas renascem das cinzas com uma tenacidade que admiram os demais, chegando a ser caso para afirmar que estão sempre vivos mesmo quando estão mortos.
Além do camelo e do chimpanzé, existe a andorinha, os deste perfil, tal como estas aves migratórias, são aqueles que de tempos a tempos desaparecem do horizonte, ninguém os vê, mas eles andam por aí, são os mais estratégicos e vêm somente quando lhes interessa aparecer, são os oportunistas que todos desdenham mas que depois ninguém enxota, porque até gostam de serem vistos como desejados, normalmente não são dados ao trabalho fazem pesca à linha e mudam de ares quando acaba o tacho tal como quando chega o Inverno.
Passemos ao topo da hierarquia, temos então a águia, que tal como esta vêm mais ao longe, conseguem antever cenários como se tivessem uma bola de cristal e colocam-se estrategicamente no campo que lhes interessa, além de jogarem acumulam também as funções de treinador pois põem e dispõem dos elementos em campo, estes escutam com subserviência e respeitando as ordem dadas, porque não se reclama no mundo animal até porque a Lei é a da Natureza (vai-se lá querer ser anti-natural!)
. Além das águias, existem uns poucos, mais raros é certo, que são os mochos estes são munidos duma sagacidade que amedronta os demais, vivem na escuridão dos corredores do poder, ninguém os conhece bem mas todos sabem quem são, são normalmente escutados pelas águias, pois os seus dons de observação são duma utilidade a toda prova, contudo são animais da noite, têm algo negativo neles e assim são escutados mas pouco seguidos, são animais solitários. Além das águias e dos mochos, existem os elefantes são aqueles que por onde passam são admirados, são exemplos a seguir por outros, são duros como uma rocha e pouco moldáveis às regras, têm um estatuto próprio e acima dos outros. Ninguém contesta, porque foi sempre assim atendendo a que são animais com um ciclo de vida longo, vivem e sobrevivem criando à sua volta uma auréola de mistério que os torna atractivos. Uma vez atingida esta fase animal não existe regressionismo ao contrário das outras classes. O sonho dos elefantes, é chegaram a dinossáurios, porque serão para sempre relembrados pelos outros e de preferência sua como museus vivos para poderem contemplarem a paisagem.
Uma nota final importante para o funcionamento do sistema e muitas vezes esquecida pelos outros, as formigas. Essa argamassa do partido, com ciclos de vida curto, vão aparecendo quando são necessárias, trabalham obedientemente, tolerando a ausência de reconhecimento com um agarrar à esperança que um dia alguém repare nelas. Por vezes, lá no meio dela surge a cigarra, encostada a ver os outros a trabalhar, mas essa logo, logo é descoberta e alertada que não é por esta porta que deve entrar. É pela porta que dá directamente acesso ao topo do sistema.
Injusto, pensarão vós? No mundo animal não conhecem essa ideia. Só no dos Homens.

Bitaites "A Natureza Partidária"

 

Anonymous Rui disse ... (10:42 PM) : 

Muito curiosa esta análise da vida partidária.

Partilho esta visão, embora um pouco mais negra. Expu-la sempre que comentei um ou outro post neste blog. Sempre que o fiz não obtive nada mais que comentários grosseiros, e algumas vezes malcriados, aos mesmos e à minha pessoa.

Este post acaba por me dar razão. Expõe de uma forma claríssima o corportamento de cada um dos agentes da nossa vida partidária. É um dos vossos que o diz. Não eu! Se fosse eu, seria rapidamente bombardiado, insultado, e procurariam rapidamente amenizar e neutralizar a coisa atirando "areia para os olhos". Mas volta e meia há alguém com um acesso de consciência que dá uns tiritos nos pés.

Concordo com esta visão. É necessário credibilizar os políticos e o próprio trabalho político. No fundo eles são sabedores da sua natureza e das linhas com que se cosem. Parem de enterrar a cabeça na areia para depois a atirarem aos nossos olhos.

Este texto é um bom ponto de partida.

Estamos entregues aos bichos!

 

Anonymous Anónimo disse ... (11:14 PM) : 

Fora o lado romanceado, está espectacular.

 

Blogger Miguel Primaz disse ... (12:10 AM) : 

Caro Rui,

Desconheço a que situação concreta se refere, quando diz que foi alvo de comentários malcriados, mas no Novas Energias pugnamos pelo debate aberto e livre pensante, até porque não é um blog institucional o que nos permite uma maior criatividade individual.

Posto isto, não estou a expôr ninguém, simplesmente fiz uma parábola rocambolesca nuns pontos e hiperbolizada noutros, como método de raciocínio acerca de algo que toda a gente minimamente informada preocupa e isto independentemente da cor partidária ou da força da estrutura política.
E como tal não se trata de uma questão de ser "um dos vossos", porque a política não é estanque das outras áreas sociais. Pensar dessa forma é diminuir o número de participações políticas lançando-lhes exigências constantes e pressões ilegítimas, qual espada de Dâmocles, quando os políticos são como todos os outros actores sociais, ou seja, são também iguais a si.
Tal como não se trata de um qualquer assomo de consciência, com tirinhos no pé a mistura, porque isso levaria a que se considerasse a que no resto do tempo, estava inconsciente ou até mesmo de má fé. Além, que eu creio, convictamente na honestidade da generalidade dos políticos.
Como tal não estamos entregues aos bichos, qual Torga, estamos é entregues a nós, a si, a mim e a todos os outros.

 

Blogger Pedro Couto disse ... (12:25 AM) : 

Rui,

A primeira vez que li o texto pensei: Este texto destaca-se por ser amoral, descrever um conjunto de caminhos que, desencadeando-se eventos intermédios levariam a destinos inevitáveis. Se assim fosse seria o impressionismo na sua forma escrita, algo que em política me pareceu inaudito.

Mas apecebi-me depois na ironia e na revolta subjacente a todo o texto e que lhe trouxe uma força acrescida: é o texto de alguém que resiste à mediocridade e a esses mesmos caminhos trilhados. De alguém que não aceita rótulos e que quer batalhar politicamente com base num só critério: a qualidade.

Assumir isto, em Portugal, é visto como uma afronta por muitos (porque será?). A humildade que o Primaz refere, é uma humildade negativa. Aquela que nos obriga a engolir sapos e a calar protestos perante o que achamos estar errado em nome de uma qualquer unidade acéfala.

Mas, prezado Rui, não podemos estar sempre a dar ouvidos às críticas fáceis, há que ter poder de abstração!

p.s. faltam-te ali muitos outros animais, desde o camaleão ao Dragão ;)

 

Blogger Miguel Primaz disse ... (12:34 AM) : 

Pedro,

Agradeço as tuas atentas palavras.

Quanto ao camaleão, este naturalmente..
está camuflado:)

Abraço

 

Blogger José Miguel Lima disse ... (11:11 AM) : 

Gostei do texto, apenas por ser poético.
No entanto, não posso denotar que o autor do post deve estar a viver uma fase de desilusão politica.
Tal como muitos outros que já viveram essa desilusão e agora encontram-se centrados nas fileiras do contra-partidarismo.

O que levou a este Post foi Narciso Miranda (NM), que vive actualmente centrado numa guerra entre a sua concelhia e a sua Câmara Municipal. Há dias lançou a ideia de poder ser candidato independente, agora ataca Seabra e o Guilherme! Achava que conhecia um Primaz mais lúcido! NM é uma raposa, ainda por cima velha, cheia de vícios, muito lúcida do caminho e do trajecto que quer tomar e como tal encontra-se neste momento no seu tabuleiro de xadrez a imaginar a melhor forma de a concretizar.

Sobre este assunto não pretendo gastar nem mais uma palavra.

É sobre a desilusão que me pretendo centrar.
Muitos de vós sabe ou já soube como era um partido por dentro. Não vale a pena esconder das dificuldades e relutâncias que sabemos existir à mudança.
Mas há uma coisa que pretendo ressalvar, é preciso vontade.

Eu acredito que com vontade interior, consegue-se mudar.
Eu acredito que com vontade poderemos tornar a vida politica mais agradável, inclusiva e transparente.
Mas teremos de ter coragem, força, determinação e desprendimento.
É um facto que existem porteiros e capatazes a bloquear o acesso à liderança, a bloquear a criação de alternativas, a fechar as portas, a instigar as pessoas.

Mas não é com desânimos e metáforas animalescas que vamos chegar lá.
Existem muitos camaleões (e colibris), que acham que podem estar com todos. Com alguém já disse "Gostam de estar do lado da manteiga". Essa nunca será a solução. Se não é este o Partido que queremos temos que ir à guerra e lutar pela mudança. Temos de nos afirmar pela nossa convicção, e essa não pode ser dúbia, porque senão ninguém acreditará em nós.

A vida é uma selva. Os Partidos não são excepção.
Salvam-se os melhores.

Como acredito que posso ajudar a tornar esta cidade/País melhor, vou continuar a lutar, porque sei que posso ser o melhor.
Eu sou assim. Penso Positivo.
Pensa positivo também.

 

Blogger everest disse ... (11:38 AM) : 

Para além de toda e qualquer ilação política que se poderá tirar do texto, acho que acima de tudo ele vale pela forma, pela prosa. Está brilhante, simplesmente. Independentemente de concordarmos ou não com o mesmo, creio ser inequívoca a qualidade do post. Muito fixe mesmo :D

 

Anonymous Anónimo disse ... (3:17 PM) : 

Miguel,

Parabens pelo post, esta realmente muito bem escrito. A situacao que tu expoes e aquela que surge na cabeca de qq pessoa com espirito critico que se decide a entrar numa organizacao politica (pelo menos daquelas que conheco).

A honestidade que e mais dificil de manter qd se esta por dentro de este tipo de organizacoes e a honestidade consigo mesmo e extremamente complicado decidir-se entre os meios e os fins.

No entanto, conheco varias pessoas nesta organizacao (jovens e outros bem menos jovens) que felizmente nao se enquadram em nenhuma das tuas metaforas. A existencia dessas pessoas permite-me acreditar no futuro da nossa sociedade e no futuro da nossa democracia. E ja agora, algumas delas irao certamente ler este post.

Joao Dias

ps- Os politicos que temos sao o espelho da sociedade, engana-se quem acredita que as pessoas passam de santos a pecadores por simples influencia de uma maquina partidaria. Os tipo de animais de que fala o Miguel eu encontro-os nas empresas, nos clubes, na administracao publica, tanto em Portugal como noutros paises (sim, sim, mesmo na aqui suica)

 

Blogger Miguel Primaz disse ... (11:37 PM) : 

Obrigado, João Dias e Everest pelos vossos gentis e lúcidos comentários.

Quanto ao comentário do Zé Miguel, gostaria apenas de referir, que ao contrário do prognosticado, não atravesso qualquer fase de desilusão política mas sim e bem pelo contrário, de realismo perante o que envolve o quotidiano partidário.

Todavia temos uma diferença, tu encaras a constatação da realidade como um poema, belo e romântico, lacrimoso e enfadonho, triste e introspectivo, eu encaro como uma narrativa baseada em múltiplos prismas verídicos.
Assim, afinal quem é o Poeta?

 

Blogger Luis Gourgel Silva disse ... (12:17 PM) : 

É o fungágá, fungágá da bicharada.
Gostei do texto e para o Zoo ficar completo, só faltaram:
- os camalões (já abordado nos comments acima);
- os escorpiões modernos, que se adaptam aos mais variados tipos de habitat - dos desertos às florestas tropicais, do nível do mar a grandes altitudes em montanhas - e que apesar de pequenos em tamanho, exercem um papel fundamental na cadeia alimentar.
- e a viuva negra, onde a fêmea geralmente come o macho após copular, de forma a deixar o caminho livre aos seus descendentes;
Quanto ao estado de espirito do Miguel, se numa 1ª analise tb pensei k andava desiludido, cheguei á conlusão que afinal o seu "desabafo" é fruto da sua matoridade e maior consciencia da realidade do reino animal.
Tb partilho da opinião do J.Miguel que "...é preciso ter vontade".
Nós - jovens agora, quiça futuros lideres de amanhã - devemos tentar mudar o actual estado da selva em k vivemos. Mas não concordo que nesta selva, só os melhores sobrevivem, pelo contrário. Os sobreviventes são os "yes mans", e aqueles animais que "para liderar no futuro, são survecivientes no presente", pois só desta maneira poderão, um dia, partilhar ou ascender ao cadeirão do poder reinante na selva.

Enquanto jovens, faz parte da nossa aprendizagem cometer erros, criticar o sistema, tomar posições fracturantes e afrontar o poder do Rei da Selva - o Leão. Merecemos o beneficio da duvida e não ser ostrascizados nem postos de parte, devido á nossa energia e ousadez. Mas tb devemos manter discursos coerentes ao longo da nossa vida animal, e não mudar conforme a estação do ano.

 

Blogger Heleno Roseira disse ... (1:24 PM) : 

Caro Miguel,

Nao me vou alongar em elogios relativamente a este post ,mts ja o fizeram ,e eu apesar de o apreciar no sentido poetico e metaforico ( qual Alegre qual que ) discordo pelo timing e principalmente por seres logo tu a escreve-lo.
Sei bem , que fazes da frontalidade e da honestidade uma das tuas bandeiras na politica, sei tambem que qd criticas os politicos estas a criticar antes de tudo a sociedade em geral, aqueles sao um reflexo desta, mas na minha opiniao nao nos podemos esquecer que devemos tentar trazer pessoas para a politica , mostrando que e possivel exerce-la com valores e rectidao, mostrando que EXISTEM PESSOAS COMO TU que lutam por aquilo que acreditam e nao alinham em certos esquemas de politiquice. O teu post faz precisamente o contrario, afasta as pessoas da politica, chama os anti-partidaristas, e por ser logo um politico e dos bons a escreve-lo nao deixa de ser para mim um pouco frustrante.
Ca continuarei como leitor do blog esperando ver em ti e nos outros a intervencao necessaria para o crescimento do novasenergias e da accao poltica positiva e construtiva.

Um abraco fraterno,

Heleno

 

Blogger José Miguel Lima disse ... (1:26 PM) : 

Já sabia que iria sobrar para mim!

No final de tudo o Poeta sou eu?

 

Blogger Miguel Primaz disse ... (5:39 PM) : 

Heleno,

Prezo saber que nos acompanhas ai no País da Bota!
Contudo não concordo minimamente com o que explanas.
Assim interrogo-te se não achas que o primeiro passo para a cura do doente é assumir que está doente?
Para quê estar com discursos redondos, se não vamos à raíz dos problemas?
E ir a raíz, é desmistificar os pilares, para apartir daí reconstruirmos um edíficio social sadio e transparente?
A forma metafórica e não poética, como tu afirmas, visa precisamente fazer a revolução de costumes sem pudores, vergonhas, medos ou cobardias.
Todos os assuntos devem ser tratados sem os tabus do politicamente correcto. Não quero transformar, e penso que tu acompanhas nisto, os possíveis militantes ou simpatizantes partidários em meros consumidores, receptivos a atractivas mensagens publicitárias.
A realidade deve ser denunciada tal como ela é, nem desvirtuada da verdade, nem embalada em papel de prenda.
Abraço e agradeço os imerecidos encómios.

Quanto ao Zé,

não te preocupes que não estás sozinho, porque como já alguém disse, este Portugal é um País de Poetas, logo viva a Liberdade Poética e viva a sua exaltante veia criadora!

 

Blogger Heleno Roseira disse ... (7:20 PM) : 

E es tu medico Miguel ? Talvez algumas pessoas ajam como tu descreves, mas eu pelo menos nao sei o que acontece na cabeca dos outros, por isso acho k n devemos agir como se fossemos os senhores da razao. Cairmos em discursos do genero que sao todos uns interesseiros e que estamos entregues ao bichos nao sei ao ponto que nos leva.
Deixemo-nos de lerias e passemos a chamar os bois pelos nomes. Queres tu dizer que na nossa concelhia da JS(bem sei que o post e geral) todos se comportam com os instintos animalescos que referiste ? E se sim ,como sabes que se comportam desse modo ?


Abraco e obrigado por aprezares a minha opiniao longinqua.

 

Blogger Miguel Primaz disse ... (11:35 PM) : 

Médico não sou.
Nem era preciso ser. Nem eu, nem qualquer outro. Basta observar a realidade para nos apercebermos que nem tudo vai bem, ao contrário da ideia que transparece dos teus posts. E com a minha simples opinião não quero ser pretensioso ao achar que sou dono da razão, como tu injustamente afirmas. Estou expondo um ponto de vista, apenas isso. Contudo a tua partidarite não te permite ver os problemas ou pelo menos falar deles com liberdade. Que te prende?
Aliás não entendo que queiras individualizar, quando o meu post inicial visava sempre apontar algumas das características de alguns militantes partidários e apenas no geral. E fi-lo, como o Pedro se apercebeu de forma quase amoral, sem crítica, apenas constato para mim e expus para outros, sujeitando-me ao escrutínio colectivo sem mordaças porque acredito na liberdade do individuo enquanto ser único e irrepetível merecedor de defesa perante os "arrebanhamentos" e admito que até delicio-me com as personagens dum qualquer Partido. São assim. Fazem parte dele, aliás se não existissem talvez já nm concebesse um Partido Político como tal.
E por fim, duas correcções, nunca chamei interesseiros e nem que estávamos entregues aos bichos.
Ilustrei que somos todos uns bichos, isso sim, portanto não estamos entregues a eles, porque nós somos eles, os bichos. E digo-o sem falácias, nem pessimismos, nem ainda ironias. Somos assim. Salvo melhor opinião, mas é a minha.

 

Blogger José Miguel Lima disse ... (12:08 PM) : 

“Arrebanhamentos”?

Eu não sou pai de ninguém, nem tutor, nem muito menos pastor de uma qualquer religião partidária.
Mas não posso deixar de referir que há determinadas pessoas que em determinada altura resolvem ter problemas de consciência e vir a publico defender-se como um não arregimentado!

Há coisas que não basta parecer, é preciso sê-lo. E quando o é, não precisa dizê-lo.
Eu não digo… pratico.

 

Blogger Miguel Primaz disse ... (12:12 PM) : 

Praticas o quê?

 

Blogger José Miguel Lima disse ... (3:23 PM) : 

Futebol de salão, aos sábados de manhã...

 

Blogger Heleno Roseira disse ... (6:57 PM) : 

Miguel, nao , nao sofro de partidarite nem tenho nada que me impeca de falar com liberdade. Se calhar fui pouco explicito e centralizei em ti as criticas quando a questao deve ser abordada de outro modo. Procurarei ser o mais sincero possivel. De facto nem tudo vai bem, os partidos politicos e as juventudes partidarias sofrem um problema de uma crise existencial. Como tem sido discutido no nosso blog da JS , hoje em dia ser presidente de uma juventude partidaria implica ser visto aos olhos da sociedade como um desonesto a procura de tacho. Aquela ve os politicos como mentirosos e interesseiros desde algum tempo a esta parte. Nao e portanto novidade. O que foi novidade para alguns foi o facto de um politico, neste caso tu, ter escrito e admitido que os membros de um partido politico se comportam com tiques animalescos a procura de fins pessoais.
Gostaria de dizer em primeiro lugar , que o que me desagradou neste post nao foi o facto de ser referido que os politicos se comportam desse modo. Alias a sociedade pensa exactamente como tu, o que levar-me ao aborrecimento seria uma perda de tempo. O que me entristeceu foi ver que uma pessoa por quem eu tenho uma consideracao politica e pessoal elevada tenha dado um tiro no seu pe e nos pes de todos que tentam contribuir para o crescimento do novasenergias , pois considero este post desnecessario. Desnecessario porque ? Porque para a mim a politica precisa de jovens que estudem os problemas da actualidade, que dem ideias, que intervenham , que ajudem os mais inadaptados, que trabalhem em team-work. A ti, as vezes vejo-te como um psicologo que sempre isolado diz: atencao devemos todos fazer uma introspecao, alguma coisa vai mal, devemos descer as nossas raizes mais fundas e alterar o nosso modo de ser. Tal vejo como uma boa intencao que alem de ser impossivel de ser posta em pratica, nao se dirije para revolver os problemas dos outros que e para isso que a politica serve. E preciso accao, nao ha tempo para a psicologias.
Em segundo que como sempre desagrada-me as generalizacoes. EXISTEM MUITOS BONS POLITICOS QUE TRABALHAM. Nao basta escreveres posteriormente que tinhas como intencao visar apenas algumas pessoas para depois vires dizer que somos todos bichos. Entao como ficamos ? Alguns ou todos ? Ou ha bichos melhores que outros ?

Abraco e conto contigo para o futuro do nosso Pais e Partido.

 

Blogger everest disse ... (7:44 PM) : 

Não conheço pessoalmente nem o HR nem MP. Mas, neste caso, e face ao último comentário de HR, vejo-me na obrigação moral de defender MP. Não por o conhecer, não por estar imbuído de um qualquer espirito pró defesa de todos os que estão a ser alvos de cerrada argumentação, mas porque, tão somente, tenho uma linha de raciocionio na linha de Miguel Primaz.

Diz Heleno Roseira que "É preciso acção, não há tempo para psicologias". Discordo veementemente. Mais. Admiro alguém que estando dentro de uma máquina partidária consegue dissecar a mesma, olhá-la com um sentido crítico apurado, ver os pontos em que está debilitada, em que pode melhorar, consciencializar-se e consciencializar os seus pares para os pontos a melhorar, tudo com um olhar desapaixonado, sem romantismos e palavras vãs. Mas com um mordaz sentido de humor, exemplarmente escrito.

Lembro-me de uma das grandes máximas de Sócrates, salvo erro a que estava inserida no óraculo de Delfos: "Conhece-te a ti mesmo". Sem o fazermos a nossa acção não poderá ter o sucesso que eventualmente poderia ter, não iremos aprimorar a nossa capacidade de acção. Tempo em reflexões e em debate, desde que não seja excessivo, é sempre tempo ganho, tempo útil. É o que permite evitar a via errada, cortar na raíz problemas que podem vir a frutificar no futuro.

Se somos bichos ou não, não me interessa muito. Mas talvez sejamos. Basta escolher a metáfora certa e facilmente encaixaremos num qualquer animal. E nisto, creio que qualquer um concorda.

 

Blogger Miguel Primaz disse ... (10:51 PM) : 

"O que foi novidade para alguns foi o facto de um politico, neste caso tu, ter escrito e admitido que os membros de um partido politico se comportam com tiques animalescos a procura de fins pessoais."

Mas tu não admites que existem membros de Partidos Políticos que se comportam egoisticamente? Ou queres ser corporativo na política ao ponto de não falares publicamente disso? Então não somos precisamente nós - políticos - que estamos em melhor posição para criticar o que nos rodeia, aliás estamos em melhores condições do quaisquer outros que falam no típico tom do bota-abaixo lusitano. A liberdade também passa por aqui, pelo que não devem ser levantados feudos.

"O que me entristeceu foi ver que uma pessoa por quem eu tenho uma consideracao politica e pessoal elevada tenha dado um tiro no seu pe e nos pes de todos que tentam contribuir para o crescimento do novasenergias , pois considero este post desnecessario.

Mas é precisamente o contrário, o espírito do novas é tentar edificar políticas diferentes, com novos métodos e tiques, que façam a sociedade civil precisamente aproximar-se disto, que não deve ser fechado do resto. Então, mas a política fica no campus protegido da crítica. E achas que é a varrer os problemas para debaixo do tapete que irás resolver as crises de representação actual. Sabes que estás a passar um atestado de estupidez a todos aqueles que estão fora destes muros? Não quero acreditar que o teu bom senso não prevaleça neste ponto.

"A ti, as vezes vejo-te como um psicologo que sempre isolado diz: atencao devemos todos fazer uma introspecao, alguma coisa vai mal, devemos descer as nossas raizes mais fundas e alterar o nosso modo de ser. Tal vejo como uma boa intencao que alem de ser impossivel de ser posta em pratica, nao se dirije para revolver os problemas dos outros que e para isso que a politica serve.

Em cima proferiste que eu devia ser médico, agora sou psicólogo e ainda para mais isolado(?). Escuta, eu não ando aqui vender curas ou a acenar com diagnósticos, estou apenas a pensar alto e livremente, e escrevi-o. Poderia não o ter feito. Mas fi-lo, porque acho que não devemos ter tabus, como tu constantemente levantas.
Então mas a Política também não é ideal, não é discutir as grandes clivagens humanas? Parece-me que encaras a política numa perspectiva meramente utilitarista, reduzida a uma concepção da “obrazinha” feita e do imediatismo basista. E onde está o pensar da ideologia? Tem lugar aí? Não me parece face ao que tu apontas.

E preciso accao, nao ha tempo para a psicologias."

Não há tempo para "Psicologias"? Pareces um qualquer guarda dos portões do pensamento, onde não à margem ou tolerância para pensar fora dos cânones oficiais, mormente para militâncias consubstanciadas na independência e na liberdade.

Em segundo que como sempre desagrada-me as generalizacoes. EXISTEM MUITOS BONS POLITICOS QUE TRABALHAM. Nao basta escreveres posteriormente que tinhas como intencao visar apenas algumas pessoas para depois vires dizer que somos todos bichos. Entao como ficamos ? Alguns ou todos ? Ou ha bichos melhores que outros ?

Além, e não é primeira vez que resulta dos teus textos, de teres uma necessidade quase militante de salvaguardar os políticos que trabalham, como se eu não concordasse em toda a linha com tal, vens afirmar que visava algumas pessoas, o que é um lapso teu, porque eu não visava ninguém em concreto, limitei-me a generalizar sem em momento algum pôr-me de fora do reino.
E sim, somos todos bichos, e sim existem uns melhores que outros e felizmente que é assim sabes, porque permite precisamente este tipo de debates.

Idêntico Abraço para Ti

 

Blogger Heleno Roseira disse ... (10:03 AM) : 

Ao MP:
"Mas tu não admites que existem membros de Partidos Políticos que se comportam egoisticamente? Ou queres ser corporativo na política ao ponto de não falares publicamente disso? Então não somos precisamente nós - políticos - que estamos em melhor posição para criticar o que nos rodeia, aliás estamos em melhores condições do quaisquer outros que falam no típico tom do bota-abaixo lusitano. A liberdade também passa por aqui, pelo que não devem ser levantados feudos".

Podemos falar publicamente, alias nao escreveste novidade nenhuma. Mas vejo que a tua liberdade so permite sublinhar esse facto quando o mais dificil e precisamente o contrario.

"Mas é precisamente o contrário, o espírito do novas é tentar edificar políticas diferentes, com novos métodos e tiques, que façam a sociedade civil precisamente aproximar-se disto, que não deve ser fechado do resto".

Quanto a politica do novas nao posso comentar, nao fui eu que lancei o blog. Mas sinceramnte nao me parece que outros residentes exercam os tiques que practicas.

"E achas que é a varrer os problemas para debaixo do tapete que irás resolver as crises de representação actual".

Alguem falou em esquecer os problemas ? Disse e repeti-o, nao e com psicologias que la vamos. Deve-se sim, ajudar os jovens que entram na politica com a preocupacao de temas que interessam a sociedade para se sentirem integrados. A praxis tem um papel vital ja que o comportamento dos mais velhos vai servir de exemplo aos novatos.Mas tudo isto se desenvolve pela experiencia e nao com a introspeccao. Alias nao e por acaso que muitos consideram as juventudes partidarias com comportamentos de velhos, no mau sentido.Neste caso devemos apontar o dedo e falar sem medo. Deve-se portanto denunciar todos aqueles que practicam politicas de ma fe e que estao na politica como um boneco atras do palco que controla as personagens.

"Então mas a Política também não é ideal, não é discutir as grandes clivagens humanas? Parece-me que encaras a política numa perspectiva meramente utilitarista, reduzida a uma concepção da “obrazinha” feita e do imediatismo basista. E onde está o pensar da ideologia? Tem lugar aí? Não me parece face ao que tu apontas"

Diz-me onde eu referi que nao se podia discutir. A accao alias exerce-se pelo discurso e pela linguagem. O que denunciei foi a tua vontade Lacaniana de querer alterar o interior do Homem que vive debaixo da sua capa. E considero que uma vontade igual ,como ja referi , e impossivel de por em practica.
Para terminar este ponto digo, nao apenas Ideologia mas Etica e Ideologia.

"Além, e não é primeira vez que resulta dos teus textos, de teres uma necessidade quase militante de salvaguardar os políticos que trabalham, como se eu não concordasse em toda a linha com tal."


Concordas ? Optimo. Necessidade militante ? Desculpa mas falei de politicos em geral, nao referi que so existem bons politicos no partido A ou B, ou agora vao-me culpar de sofrer de "Democracite" e de defender politicos deste regime ?

" vens afirmar que visava algumas pessoas, o que é um lapso teu, porque eu não visava ninguém em concreto, limitei-me a generalizar sem em momento algum pôr-me de fora do reino".

Pena que em alguns casos a liberdade do pensamento so de para escrever sobre a face de uma moeda.

Ao Everest:

Pegou numa frase inserida num certo sentido e descontextualizou-a. Falei nas profundezas do ser e na impossibilidade de ela ser descoberta na politica.O "conhece-te a ti mesmo" que Socrates refere supoe um conhecimento e uma reflexao pessoal no caminho da vida, e nao do modo do individuo x mostrar para o individuo y a personalidade deste ultimo. Por isto tal tipo de debates na politica e inutil.
Por outro lado , deixe-me agradecer-lhe ter trazido um filosofo como Socrates para o nosso debate. Questionarmo-nos pelo modo socratiano o que e a politica, para que serve, qual e a funcao da justica, nunca e excessivo.

Saudacoes a ambos.

 

Anonymous Rui disse ... (11:32 AM) : 

Eina Eina...

Confirma-se o que disse, este Post seria um bom ponto de partida para uma bela discussão. Basta agitar-se um pouquinho as águas que as falsas virgens e falsos moralistas aparecem logo de espada em riste a defenderem a sua honra!

Gosto muito de ditados populares.
Há um que diz: "Zangam-se as comadres..." E nós estamos quase a descobrir as verdades. Este texto é bastante lúcido. Põe a nú toda a máquina partidária e em especial os seus intervenientes. Aplaudo esta atitude. Não se deve varrer o lixo para debaixo do tapete. Enfiar a cabeça na areia, para logo de seguida atirá-la para os olhos de todos nós! Não se pode falar em credibilização da política tentando desmontar e descredibilizar este texto. Não adianta esconder. Este é o retrato fiel da máquina partidária, seja ela sénior ou júnior. E a discussão que o seguiu ainda o reforçou mais.

HR personifica os políticos a que eu chamo de "rato velho". Já me tinha dado conta em intervenções anteriores. Cheio de tiques e vícios de político ambicioso. Personifica tudo o que considero que vai mal na política:
- Varrer o lixo para debaixo do tapete;
- Enfiar a cabeça na areia;
- O elogio conveniente, mas sempre de faca na liga;
- A atitude de "venham a mim as criancinhas" (mas cuidado com o meu tachinho!);
- A clubite partidária;
- A atitude do "atençããão, há políticos que trabalham!" (não é esse o seu dever?)...

Continuem... eu vou assistindo!
Só cá vim mesmo para atirar mais lenha!!!

Estamos entregues aos bichos!

 

Blogger Heleno Roseira disse ... (2:02 PM) : 

Gralha: Alguem falou em esquecer os problemas ? Disse e repeti-o, nao e com psicologias que la vamos.

Queria dizer, disse e repito.

Quanto ao senhor Rui pode escrever o que quiser a si nao lhe respondo, apenas lhe digo que nao preciso e nao precisarei da politica para nada. Mas como nao me conhece de lado nenhum fico-me por aki.

 

Blogger everest disse ... (8:07 PM) : 

Caro heleno roseira,

se a frase a que se refere como descontextualizada foi a de Sócrates, aproveito para fazer uma curta correcção.
De facto a mesma não surgiu no contexto em que a apresentei. No entanto, creio que se aplica inteiramente ao comentário que fiz sobre a política. Para qualquer coisa, qualquer uma, em qualquer área, considero fundamental um conhcimento e um aguçado espírito crítico sobre nós mesmos ou sobre as instituições em que estamos inseridos/ representamos. Assim sendo, preço ter esclarecido a minha opinião e porquê da citação.

Saudações

 

Anonymous Nuno Linhares disse ... (6:43 PM) : 

Caro Primaz,

Este texto é um bom exemplo de quem tem a lucidez de perceber que é preciso evoluir.
As parábolas descritas são bons exemplos do estado actual das coisas, coisas nas quais uma grande parte das pessoas já não acredita ou não fosse, actualmente, a Abstenção o maior “Partido” em Portugal.
Eu acredito que a vida pode deixar de ser uma selva e que os Partidos também deixaram de ser selváticos pois só assim se salvam os melhores, actualmente salvam-se os mais “espertos”.
Como diria o poeta “não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí”, é difícil saber que caminho nos reserva o futuro, mas pelo menos sabemos qual não queremos seguir.

Aquele Abraço,

 

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