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Quinta-feira, Setembro 07, 2006

Morangux c axucar II

A primeira grande pergunta com que me deparei antes de começar a escrever este post foi se eu pertencia ou não a esta geração de "morangólicos", mas achei que mais tarde ou mais cedo ao descrever esta geração a que me refiro acabaria por chegar a uma conclusão sobre o assunto; e assim comecei a minha demanda em busca do que é "um morango".

Os MCA são um programa de elevadíssima audiência e com uma influência brutal entre as crianças/adolescentes. Essa influência é em parte exercida de forma consciente (pela colocação de produtos de dadas marcas no programa, pelo uso de determinada roupa ou pela sensibilização dos telespectadores para determinadas temáticas ou para determinados comportamentos) mas igualmente de forma inconsciente uma vez que os autores do programa demonstram um desconhecimento do que é o mundo juvenil assumindo a existência de dados comportamentos e de dadas tendências que em vez de copiarem da "vida real" servem de cópia a essa mesma "vida real".

É o caso o fenómeno das "tribos". Sempre as houve, é certo, com outros nomes ou os mesmos sempre houve betos, skaters, graffiters, cromos, rappers, "futeisinhas", desportistas, cheerleaders, populares e excluidos, motoqueiros e playboys. Sempre se formaram grupos de "meninos bem" e de "meninos da rua" mas o fenómeno começa agora mais cedo, muito mais cedo.

Dizem que as crianças não veêm classes sociais e assim acontecia com mais ou menos verdade e eu lembro-me de vários dos meus colegas da primária e tirando um ou outro que se gabava de ter pais ricos e um ou outro que andava sempre com o mesmo fato de treino eu não consigo dizer quem era rico e quem era pobre porque não tinha a sensibilidade desenvolvida nesse sentido. Hoje isso não é assim, os grupos formam-se mais cedo porque há uma tendência para as crianças imitarem os comportamentos das personagens no ecrã e criarem grupos consoante a se identificam mais com os skaters ou com as "futeisinhas".

MCA formam desta forma e desde muito cedo uma sociedade dividida em grupos de amigos criados em volta de uma classe social ou de um perfil psicológico, contribuindo para a caracaturização da sociedade da mesma forma que, se alguém só visse caricaturas durante toda a sua vida, talvez desejasse ter um nariz de meio metro.

Toda a gente sabe que "sexo vende" e MCA como produto que são têm de vender, daí que estejam injectados de relações sexuais. Tal presença pode ser encarada como positiva ou negativa uma vez que se por um lado é pedagógica, introduzindo os jovens telespectadores na "educação sexual" ou no planeamento familiar, por outro pode levar alguns a iniciar a sua vida sexual mais precocemente, o que não é propriamente um mal em si (do meu ponto de vista) mas gerar inúmeras complicações se essa iniciação não se realizar com um mínimo de higiene, segurança, confiança e maturidade física e psicológica das pessoas envolvidads.

A beleza também vende, e talvez a primeira coisa que salta à vista depois de cinco segundos a ver MCA é que (e agora reparei no pormenor da @ para dizer simultaneamente os e as ... muito MCA) @s modelos, perdão, os actores e as actrizes (aqui já não pude usar arrobas =( .... mas pude usar um smile por ficar triste por não poder usar arrobas) como dizia eu ... os actores e as actrizes são muito bonitos. Isso até poderá ser uma forma de combater a obesidade infantil, ou de vender mais cremes hidratantes, ou até de contribuir para uma "educação estética" mas exerce sobre muit@s (ehehe) jovens uma enorme pressão para igual fisicamente os seus heróis e heroínas =/.

Seriam ainda de mencionar outras coisas como o facto de andar tudo de top durante o Inverno, de estar sempre Sol, da forma ridícula como "o pessoal" fala, das más interpretações dramáticas da esmagadora maioria dos actores, do mau exemplo que o sucesso fácil dos actores dá aos adolescentes, da forma como desperdiça a oportunidade de ensinar algumas matérias escolares, etc.; mas sinceramente acho que são permitidas à ficção algumas liberdades, não é exigível a argumentistas adultos um conhecimento exaustivo do vocabulário juvenil, não é possível recrutar dezenas de modelos que saibam actuar também além de passar roupas ou a falta delas (e nisso os autores fizeram uma escolha muito discutível, mas ainda assim legítima)e por muito que desse jeito aos professores não é obrigação de uma telonovela ensinar biologia.

Um lugar comum é que esta é uma geração apática. Não sei. Acho que as coisas estão a mudar já que considero esta geração mais comprometida com o ambiente, com a reciclagem, com os direitos dos animais, mais solidária, mais empreendedora e com menos medo de se afirmar que a anterior. Mesmo no que diz respeito à intervenção política esta é uma geração que adere a causas apesar de não aderir facilmente a partidos ou a ideologias.

É uma geração despreocupada, anti-tabágica mas favorável a um consumo ocasional de drogas leves, hedonista, muito hedonista, menos individualista e mais tribal, menos racista mas mais segregacionista, menos homofóbica mas de uma tolerância frágil e por vezes hipócrita, mais empreendedora, mais afirmativa e mais informada. Talvez seja mais fútil, talvez goste mais do efémero porque tem medo do que é permanente, talvez goste mais do superficial porque não tem tempo para digerir tanta informação. É uma geração de zappers (habituada a ter muitos canais e a mexer em muitos botões) passam de um programa para outro, de uma curte para outra na mesma noite e do laranja para o rosa, do "fushia" para o verde na mesma meia.

É uma geração muito colorida e NADA ingénua. Uma geração que se ri de forma marota ao ouvir dizer que o lobo comeu a avozinha e começa a pensar que o lobo estava a fazer uma alimentação pouco saudável muito rica em proteínas e muito pobre em hidratos e sobretudo em fibras vitaminas e minerais, além de que é um erro comer a avozinha toda de uma vez (devia ter congelado a avozinha em pedaços que lhe dessem para fazer cinco refeições diárias equilibradas que não ultrapassassem no total 2000kcal).

Não vamos condenar esta "geraxao" tão cedo. Até porque geralmente quem o faz pertenceu já a uma "geração rasca".



PS: Por favor deixem "bitaites" :D

Bitaites "Morangux c axucar II"

 

Anonymous everest disse ... (7:48 PM) : 

Saudações :)

Bem, sendo este um post de um tamanho, ainda assim, grande, vejo-me obrigado a mandar um bitaitão, passo o neologismo;).

Em primeiro lugar considero os Morangos com açucar, de ora em diante MCA, um fenómeno que é o reflexo de toda uma população jovem. Assim, a meu ver, a "geração morangos", se tal existe, é não só um produto dos MCA mas também um motivo para a sua existência. Assim sendo, considero que reflectem a cultura reinante da geração na qual me incluo e das gerações que vêm a seguir à minha (que a meu ver, já surgiram).
Se considero isto face à geração em que me encontro inserido, a minha opinião diverge no que diz respeito à influência de MCA em pessoas de idade inferior. Isto porque conheço vários casos de crianças (leia-se pessoas com menos de 7 anos) que veêm este fenómeno de audiências com a conivência dos pais. Ora bem...até que ponto os MCA têm uma influência positiva na formação dos "cidadãos de amanhã"? Creio que nenhuma..de facto, tive a sorte de ser do tempo em que a essa hora a rtp 2 dava desenhos animados. Porque com 7 anos não sei até que ponto será mais importante conhecer dramas existênciais tipicamente de adolescente ou poder viver num mundo idílico providenciado pelos "bonecos".

Voltando à geração presente que, como já disse, é (a meu ver, repito) reflectida nos MCA, tenho uma visão manifestamente diferente da do Ary. Desta forma, não vejo esta geração como uma que adira a causas, na verdadeira acepção da palavra. Ou seja, a movimentos com vista a atingir um ideal nobre sendo que a participação individual é voluntária e sem repercussão mediática. Assim, não tou a ver a minha geração a unir-se em prol de um ideal comum, de um objectivo único. Creio, isso sim, que é influenciada pelo mediatismo, pelo que é conhecido, útil e dito fixe. Daí o facto de gostar tanto do consumismo, de gostar tanto de futebol, de ´considerar que o modelo perfeito de adolescente deve sair à noite, namorar, ir à praia e fazer surf. Porque essa é a imagem promovida pela tv, pela mtv, a imagem vendida...e o jovem gosta muito de comprar.
No que diz respeito ao racismo penso que a geração actual não traz grandes avanços face à anterior. Considero é que se encontra envolta por uma falsa capa de cosmopolitismo, mantendo no entanto os vicios e a postura dos pais e avós face a este problema.
Quanto ao grau de informação...bem..crio que capta a mesma de uma maneira muito selectiva. Pode saber o que é um processador de computador, o que é banda larga e dominar a Internet, mas por certo não sabe que nalguns países a alta teconologia é um burro para carregar água. É uma geração prepotente na sua ocidentalidade, que absorveu um modelo cultural e se tornou intransigente face aos demais e imensamente tolerante dentro do seu.

Como nem tudo pode ser mau, bem...creio que é uma geração preparada como nenhuma outra para lidar com novas tecnologias e com um grau de adaptação notável. Esperemos que com resultados úteis e proveitosos para o bem comum.

 

Blogger Pedro Ary F. Cunha disse ... (8:45 PM) : 

Tiago,
em primeiro lugar muito obrigado pelo bitaitão :)

Como dizia o talhante, vamos por partes:

Sei dúvida que os MCA são um reflexo da sociedade actual (não imagino que na época vitoriana pudesse existir algo minimamente parecido com os MCA) mas por não serem escritos por jovens e até por serem uma obra de ficção o resultado é mais uma caricatura da sociedade actual e das novas gerações do que exactamente uma sua fotografia. É como colocar um espelho deformado (ainda que ligeiramente) diante de um outro espelho: a partir de certo ponto a imagem reflectida ja se assemelha ao objecto que está entre os dois espelhos.

Eu conheço duas irmãs uma com 6 e outra com 10 anos, ambas seguidoras fiéis dos MCA, e de facto a diferença entre o impacto que os MCA têm numa e noutra são muito diferentes: enquanto a de 6 anos se limita a idolatrar as actrizes e o impacto se reduz muito ao domínio da moda, a de 10 está obcecada com o seu aspecto físico, apanhou toda a espécie de vícios de linguagem usados na série, fala de sexo sem o frande pudor, pura e simplesmente recusa qualquer roupa "fora de estação", compra os produtos dos MCA e os produtos que patrocinam os MCA, só anda com as pessoas que acha "populares", ou seja com todas @s que vestem, falam, andam e respiram MCA. Se acreditas que foi uma sorte teres nascido a ver "bonecos" talvez não seja assim tão indiferente ver morangos ou ver "bonecos" ... até porque não acho que os MCA são tão inócuos na construcção da personalidade como são "As pistas da Blue".

Não poderia concordar mais quanto à influência dos media nos comportamentos e não posso deixar de concordar que esta é uma geração relativamente adormecida, mas é minha convicção que no vive no coma profundo de há alguns anos atrás. Não estamos no tempo da Fonte Luminosa e dificilmente teriamos agora taxas de 2% de abstenção, mas tivemos as ruas cheias no último 25 de Abril e a taxa de abstenção tem vindo a diminuir ligeiramente. Relembro que o referendo sobre o aborto virou a sociedade portuguesa de pernas para o ar, correram rios de tinta e ninguém foi votar.

Quanto ao racismo acho que não tens razão. Acho que hoje em dia, por causa também de uma certa miscigenação em que nós portugueses somos tão bons, a percentagem de portugueses que olha para pessoas de outra raça como iguais aumentou muito embora haja, como creio que haverá sempre, alguma resistência e agressividade, pelo menos enquanto as minorias étnicas forem também economicamente excluídas.

A informção está mais vulgarizada, mais democratizada e as pessoas que querem saber mais podem saber mais. Demos o salto para a sociedade da informação e não para a sociedade do conhecimento mas lá chegaremos. De qualquer forma estamos muito melhor que os nossos pais, do que os nossos tios mais novos ou dos que os nossos primos mais velhos.

Por último, só não disse que "nós somos a geração de portugueses mais bem preparada de sempre" porque isso foi dito 200 vezes no congresso loool.

Um grande abraço

PS: Ah ... eu acho que esta é também uma geração de germinação para um que acreditará numa consciência global e isso será vital para o desenvolvimento [sustentável] no próximo século.

 

Anonymous Anónimo disse ... (8:46 PM) : 

Para bitaitão, bitaitão e meio.

 

Blogger everest disse ... (12:03 PM) : 

Para bitaitão e meio, segundo bitaitão;)

Antes de mais queria começar por esclarecer uma questão que me parece não ter sido bem exposta. A meu ver MCA tê muma acção, não diria inócua, nem inocente, mas residual na geração em que me encontro. ou seja, na minha e na tua, nos individuos com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos. Já nas crianças de 10 anos a minha opinião diverge..se a questão não ficou bem esclarecida, peço desculpa, mas considerei que o espaço entre os 7 e os 10 anos é quase residual. Por conseguinte, creio que desenhos animados são mais produtivos, mais formadores, mais úteis para os "putos deste povo a aprenderem a ser homens".

Quanto à questão dos MCA serem um reflexo da população, bem..pelo menos eu vejo-o esta série/novela como a resposta ideal aos anseios e às necessidades de uma geração que; à data de estreia, tinha 13/14 anos. Por arrasto vieram os mais novos, até porque a essa hora a rtp dá preço certo em euros, a 2 a fé dos homens ou um talk show qualquer e a sic uma novela brasileira...e, esses sim, foram manifestamente influenciados (como a tal rapariga que conheces).

Voltando à questão das causas, encontro uma pergunta pertinente: a geração de hoje manifesta-se pró-aborto, pró-eutanasia, pró-tudo-e-mais-alguma-coisa, ao mesmo tempo que tem uma clara incapacidade de debater isso mesmo. É com um sorriso que me lembro que na geração do meu pai havia confronto politico nas escolas, e desde o contínuo ao reitor todos tinham uma opinião vincada. Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

No que diz respeito ao racismo, devo confessar que a amostra do que eu vou dizer é curta...mas em cada parte, sempre que aparece um individuo de raçã diferente invariavelmente alguém emite um comentário ofensivo supostamente inócuo e a brincar.

No que diz respeito à informação creio que a nossa geração tem uma postura completamente diferente da dos nossos pais. Podemos ter um maior acesso, um leque mais alargado; mas não temos a sede de saber, a voraz insaciável vontade de conhecer os dominios do conhecimento...de que serve ter toda uma biblioteca à distância de um clique quando a vontade de aprender está longe?

Somos sem dúvida a geração mais preparada de sempre...mas talvez anões aos ombros de gigantes.

um abraço ;)*

 

Blogger Pedro Ary F. Cunha disse ... (1:36 PM) : 

Everest,

eu não defendo que os MCA sejam brilhantes formadores de carácter nem defendo o contrário. Digo apenas que eles têm um certo impacto na forma como crianças, pré-adolescentes e adolescentes vão crescer em sociedade. E não estamos a falar só das pessoas entre os 7 e os 10 anos, mas há, como sabes muita gente da nossa idade que se não rege a sua vida pelo ideal "namorada (ou amizade colorida que isso de namoros da muito trabalho), surf, noite" é porque não pode, só não anda sempre de bikini porque tem "uns kilinhos a mais" reais ou imaginários.

Acho que estás a mitificar as gerações anteriores. São as pessoas da idade dos nossos pais que estão actualmente a dirigir o pais (nas empresas, na AR, no governo, nos tribunais, nos media, etc.) e eu olhos para eles e não imagino nem mesmo entre essa classe dirigente pessoas ávidas de conhecimento. Se nem entre essas classes dirigentes a vontade de conhecer foi uma característica dominante não creio que ela existisse. Os indivíduos que gostam de conhecer nunca são muitos, aliás uma sociedade nunca sobreviveria a tanto filósofo, e hoje tens uma geração muito bem preparada, desde logo apetrechada com conhecimento como nenhuma esteve até aqui, porque não te podes esquecer que a educação das massas (nomeadamente educação média e superior) era uma utopia até meados do século XX, ou que Portugal era um país rural até praticamente ao último quartel do século XX.

Quanto a participação política acho que de facto regredimos face aos nossos país mas progredimos face à geração anterior. Os ventos estão a mudar e tens actualmente intervenção política dos jovens com mais projecção e com mais qualidade do que tinhas há alguns anos, embora nem sempre nos mesmos espaços de intervenção em que participaram os nossos pais. Há muita gente nos blogues, multiplicam-se as associações de toda a espécie especialmente as de solidariedade social substindo muitas delas graças ao trabalho de voluntários jovens.

Esta geração tem defeitos como todas as outras mas estou optimista.

Somos sempre anões aos ombros de gigantes. Nenhuma geração alguma vez conseguirá fazer mais do que todas as que a precederam. As ideias são uma construcção, o espírito humano não se abre de um dia para o outro e se um mundo melhor não se constrói de um dia para o outro, quanto mais um Homem melhor.

Vamos tentando deixar o mundo um pouco melhor. Pois só isso fará de nós Homens melhores.

Um abraço =) [[]]

 

Anonymous everest disse ... (12:20 PM) : 

De facto, muitas pessoas da nossa geração não faz surf, não tem a tal amizade colorida, não sai à noite. No entanto, não duvido que a maior parte delas preferiria qunatas vezes ter uma vida assim, no fundo, uma vida igual àquele que é apresentada tanto pelos MCA, como, fundamentalmente, pelas series americanas.

Quanto à geração dos nossos pais, noto algumas diferenças. E por muito que queira idealizar a geração de hoje como uma que possui um conhecimento invejável, creio que não tem a mesma vontade da anterior. E mesmo tendo caído em exagero no meu último comentário, não dúvido que a geração dos nossos pais, pela nossa idade, já possuía um conhecimento político, um cultura de debate e troca de ideias que a actual, a meu ver, e em termos genéricos, não tem. Pelo menos em assuntos que ultrapassam a esfera do futebol e da moda da estação.

Partilho contigo a vontade de deixar o mundo melhor. Creio até que não há ideal mais nobre. Acredito ainda que a geração actual, caso opere as mudanças necessárias em si mesma, é capaz de fazer alg, de marcar a diferença. Espero é que tenha uma justa concepção do mundo, de não apenas valorização da micro sociedade em que se encontra.

Um abraço*

 

Blogger Pedro Ary F. Cunha disse ... (8:02 PM) : 

O conhecimento político dos nossos pais também era circunstancial. Era um tema da moda, e as modas passam. Lembro-me que a quando da "Tragédia de Entre os Rios" tinhamos donas de casa a falar em sondas e no funcionamento dos radares, no 11 de Setembro tinhamos cabeleireiras a falar de terrorismo internacional e da temperatura a que o betão entra em colapso, durante a guerra no Iraque tinhamos taxistas a achar que o ataque a Bassora era um erro estratégico-militar e hoje em dia há alunos do 9º ano a falar de défice público, despesa corrente, investimento directo estrageiro ou de gestão de fundos comunitários.

O conhecimento é uma coisa que sofre destas influências estranhas.

Um abraço*

 

Anonymous everest disse ... (7:19 PM) : 

Não concordo, mas pronto*

divergencias de fundo :P

abraço*

 

Anonymous pedro couto disse ... (11:52 AM) : 

Quem escreve os textos dos MCA são pessoas da idade dos vossos pais, o que significa que os MCA são a sua interpretação do que é, ou deveria ser, a juventude.

Não tenho dúvida que se os MCA fossem escritos por pessoas entre os 15 e os 20 anos talvez fossem diferentes: Menos cor-de-rosa, mais sombrios, mais incoerentes, como são todas as coisas nessas idades. (Mas para isso temos o youtube, pode ser que alguém lance desta forma uma "novela" 100% jovem pois a tecnologia está disponível e os custos são reduzidos.)

Os nossos "pais" ou a geração que nasceu entre 1960-1970 está agora a chegar ao topo, a influenciar a sociedade. A geração MCA apenas dentro de 15-20 anos terá influência significativa na sociedade e nessa altura reproduzirá em grande parte os valores transmitidos pelas gerações anteriores.

O contexto económico dita grande parte das transformações sociais. Com o advento da mobilidade laboral e da desmaterialização do trabalho, o conceito de família alargada irá diminuir (ainda mais). A importância atribuída à aquisição de habitação será também menor, aumentando a importância dada à fruição da vida.

A lógica dominante poderá assim adaptar-se e alterar as gerações futuras, subvertendo o ciclo de reprodução social, com muito mais força do que qualquer série juvenil...

 

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